O Bubacar gostava de ter um piano
Quando as voluntárias conheceram o Bubacar, carinhosamente tratado por Buba por todos, encontraram um rapaz tímido. Falava baixo, observava tudo à sua volta e parecia escolher cuidadosamente cada palavra. Havia nele uma doçura silenciosa e uma sensibilidade profunda, ainda protegida. Desde o primeiro momento, ficou claro que o mais importante seria respeitar o seu tempo e criar um espaço seguro onde pudesse ser simplesmente, com silêncios e risos reservados.
O primeiro grande ponto de encontro aconteceu através do jogo dixit. Entre cartas ilustradas, histórias imaginadas e interpretações livres, começaram a surgir sorrisos espontâneos, olhares cúmplices e pequenas gargalhadas. Cada jogada era uma porta que se abria, cada imagem uma oportunidade de expressão. Foi ali que a confiança começou a crescer, de forma natural e verdadeira, num jardim no centro de Lisboa.
À medida que os encontros se foram sucedendo, a arte revelou-se como uma presença constante. A pintura, a música, a imaginação. Os girassóis surgiam vezes sem conta, quase como um símbolo. Campos de girassóis, cheios de luz, cor e movimento. As voluntárias perceberam rapidamente o quanto ele os adorava, talvez porque representam alegria, crescimento e a capacidade de procurar sempre a luz.
A música ocupava um lugar central na sua vida. O piano era a sua grande paixão, o instrumento através do qual conseguia dizer tudo aquilo que, por vezes, as palavras não alcançavam. O basquetebol também fazia parte do seu quotidiano, mas era na música que encontrava refúgio e identidade. Estuda música, compõe, canta e sonha. Quer ir para o conservatório, e esse sonho guia o seu caminho com disciplina e entrega.
Ao longo deste processo, as voluntárias ouviram-no cantar, partilhar composições de autor cheias de emoção e personalidade. Criaram músicas juntos, experimentaram sons, erraram, riram e recomeçaram. Pintaram uma tela em conjunto, onde os girassóis ganharam cor e forma. Houve momentos simples e felizes, como comer pizza à mesa, um dos seus pratos preferidos, porque também é nesses instantes que os desejos se constroem.
“Conhecer o Buba foi profundamente inspirador. Desde o primeiro momento senti que estava diante de alguém especial. O Buba tem uma sensibilidade rara, uma forma única de estar no mundo e de se expressar, mesmo quando as palavras não chegam. O tempo com ele voava, as horas passavam sem darmos por isso. Voávamos a ouvi-lo tocar, a cantar, a partilhar as suas ideias e composições. A música dele tem esse poder, suspende o tempo e enche o espaço de emoção.”
– Rita, Volutária Make-A-Wish
Nota a nota, tornou-se claro que o seu grande desejo era ter um piano acústico. Não apenas um instrumento, mas um companheiro de todos os dias. Um piano que enchesse a casa de som, que abraçasse os seus estudos, as suas criações e os seus sonhos de futuro.
O dia do desejo começou de forma inesquecível. Fomos com o Buba e a sua grande amiga Flor a um sítio muito especial e aí, teve a oportunidade de conhecer Mário Laginha, uma referência incontornável do piano. Tocaram juntos, conversaram, escutaram-se. Mergulharam profundamente no mundo da música, num encontro feito de inspiração, partilha e admiração mútua. Cada acorde parecia confirmar que aquele caminho fazia sentido.
Depois, houve pizza ao almoço, celebrando a alegria de estar em coletivo, de partilhar, de viver o momento.
E quando chegámos a sua casa, o piano já lá estava. À espera do Buba. O instante foi de pura emoção: Risos em voz alta, mãos na cabeça, incredulidade, felicidade. Sentou-se ao piano e não o largou mais. As primeiras notas encheram o espaço, e a casa foi inundada pela sua melodia, viva, intensa e cheia de emoção.
Naquele momento, as voluntárias perceberam que o desejo não terminava ali. Estava apenas a começar. Um desejo que se transformou em som, em arte, em confiança e em caminho.
“Este caminho com o Buba é uma emoção difícil de pôr em palavras. Na mesma pessoa vive um músico, um jovem cheio de luz, talento e asas. Saio deste desejo transformada, com a certeza de que a música dele vai continuar a tocar muitas vidas, tal como tocou a nossa. Levo comigo a inspiração e a memória de cada nota.”
– Rita, Voluntária Make-A-Wish
Muito obrigada, Junta de Freguesia de Campolide, por apoiarem a missão da Make-A-Wish no Arraial Santos À Campolide 2025 e apadrinharem o desejo da Carlota!
Um agradecimento especial às voluntárias Mafalda e Rita, por toda a dedicação ao longo desta Wish Journey!
Apoios: Pianista Mário Laginha, Electromusica e Plateform.
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